Se neste céu fosco e lívido que vejo
um anjo me concedesse um único desejo,
eu rasgaria com furor a mortalha de pele que me veste
e diria em murmúrios para teus olhos azuis celestes
que com graça e amor
me tornasse um verme!
Eu caminharia na sujeira como no inferno um demônio.
Em minhas costas levaria o enfado de um casulo de sonhos.
Só, pela mais abissal imundície, de excremento e de odor.
A forma mais bela de misantropia, longe do mundo, longe da dor!
Eu, imensurávelmente feliz e submerso em alegria,
do acolhedor e aconchegante lixo, observaria,
como é triste e insalubre a vida de toda humanidade...
Como podem, no húmus da terra, ser tão ignorantes,
e pensar em superioridade?
Então, no negro e suave véu de chorume,
cercado de esplendor e beleza tão real,
lamento pelas pessoas, por seu egoísmo, sua arrogância e seu mal!
E a podridão fecal em meus olhos não impede que eu observe:
Sou sujo, mas as pessoas são os verdadeiros vermes!
Bira L. Silva

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