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"Eu não tinha medo de observar as coisas horríveis, mas ficava apavorado com a idéia de nada ver..." (Poe)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Véu de Chorume

Se neste céu fosco e lívido que vejo
um anjo me concedesse um único desejo,
eu rasgaria com furor a mortalha de pele que me veste
e diria em murmúrios para teus olhos azuis celestes
que com graça e amor
me tornasse um verme!

Eu caminharia na sujeira como no inferno um demônio.
Em minhas costas levaria o enfado de um casulo de sonhos.
Só, pela mais abissal imundície, de excremento e de odor.
A forma mais bela de misantropia, longe do mundo, longe da dor!

Eu, imensurávelmente feliz e submerso em alegria,
do acolhedor e aconchegante lixo, observaria,
como é triste e insalubre a vida de toda humanidade...
Como podem, no húmus da terra, ser tão ignorantes,
e pensar em superioridade?

Então, no negro e suave véu de chorume,
cercado de esplendor e beleza tão real,
lamento pelas pessoas, por seu egoísmo, sua arrogância e seu mal!
E a podridão fecal em meus olhos não impede que eu observe:
Sou sujo, mas as pessoas são os verdadeiros vermes!
 


Bira  L. Silva

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The structure of poetry - Um filme de Bira L. Silva

Gosto de me expressar, não que eu tenha talento ou me ache portador de algum, por que se para Camões faltava "saber engenho e arte" como disse o própio, para minha singela imagem falta ainda TUDO, para chegar aos pés desta sublime palavra... Finalizei este curta em outubro de 2010, quiz mostrar um artista, ou poeta, se desgastando no tédio, tentando se expressar de alguma forma. É sobre como é lento e doloroso um processo de criação...Espero que gostem.