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"Eu não tinha medo de observar as coisas horríveis, mas ficava apavorado com a idéia de nada ver..." (Poe)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Finitude

Finitude


Quando o senil poeta adormecer as pálpebras no escuro
saberá que cada árdua palavra nunca fora trivial.
E por certo restará vestígios de sua dor por este mundo
pois nunca soube ele usar o ponto final...

Um pássaro baterá à porta e dirá: "Nunca mais".
Mas nos ecos do seu sono ele entenderá: "Para sempre".
Pois em sua arte há a dor que o viver leva e traz
e dela restará algo para que alguém dele se lembre!

Saberá que fora, em vida, diferente então,
dos lobos que à tudo troxeram o fim,
das mãos zumbis que afogaram toda luz na escuridão.

Saberá que fora diferente dos que nunca deveriam ter nascido,
amores de toda uma vida,
nenhum por uma vida vivido!


Bira L.Silva
30/05/11

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A pequena luva.

A
  PEQUENA LUVA


 Ela foi uma pequena luva
e cobriu minha mão quando frio o clima estava.
Foi como para Tristão sua Isolda,
para a lucidez toda droga que eu precisava.

Ela foi, sim, para a noite a lua que faltava, 
deixou sua escarificação em meu mundo.
Enquanto Harvey ao seu corpo o amor costurava,
eu só temi o quanto isso era ávido e profundo...

Escrevo ao pó, ao pretérito sucumbido na mente,
para um morto congelado na alegria de morrer,
e escritas assim tais palavras sempre serão presente!

Hoje, em minha mão a pequena luva já não coube.
Adormeceu fria em uma noite de Saturno
a mão de quem conheceu o amor e outra vez amar não soube.


Bira L. Silva

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Chacais

Tintas escorrem vívidas na morta natureza.
A arte, mesmo que horrível, ainda é a única beleza.
E se um quadro se formasse da imagem em minha mente
nele haveria os chacais deste mundo devorando o amor entre seus dentes.

Seriam rubras as cores para com carinho descrever o ódio, 
o sangue frio e pérfido de cada um dos muitos olhos?
Inquietante e corrosiva questão da mão que pinta a tela:
Haveria ainda um só coração em meio à tantas feras?

Pobre mão cansada, nunca saberá que cores usar
para descrever algo que observa com medo e lástima no olhar.
Nunca saberá dizer em tuas artes
por que vivem malevolentes seres tão covardes,
monstros que caminham sempre sedentos
para retirar do mundo os restos escassos de sentimento!

Pobre mão cansada que vê sua arte perder o brilho
ao pintar o falecimento do amor...
Como Goya, e seu saturno devorando um filho!


Bira L. Silva


The structure of poetry - Um filme de Bira L. Silva

Gosto de me expressar, não que eu tenha talento ou me ache portador de algum, por que se para Camões faltava "saber engenho e arte" como disse o própio, para minha singela imagem falta ainda TUDO, para chegar aos pés desta sublime palavra... Finalizei este curta em outubro de 2010, quiz mostrar um artista, ou poeta, se desgastando no tédio, tentando se expressar de alguma forma. É sobre como é lento e doloroso um processo de criação...Espero que gostem.