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"Eu não tinha medo de observar as coisas horríveis, mas ficava apavorado com a idéia de nada ver..." (Poe)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A pequena luva.

A
  PEQUENA LUVA


 Ela foi uma pequena luva
e cobriu minha mão quando frio o clima estava.
Foi como para Tristão sua Isolda,
para a lucidez toda droga que eu precisava.

Ela foi, sim, para a noite a lua que faltava, 
deixou sua escarificação em meu mundo.
Enquanto Harvey ao seu corpo o amor costurava,
eu só temi o quanto isso era ávido e profundo...

Escrevo ao pó, ao pretérito sucumbido na mente,
para um morto congelado na alegria de morrer,
e escritas assim tais palavras sempre serão presente!

Hoje, em minha mão a pequena luva já não coube.
Adormeceu fria em uma noite de Saturno
a mão de quem conheceu o amor e outra vez amar não soube.


Bira L. Silva

The structure of poetry - Um filme de Bira L. Silva

Gosto de me expressar, não que eu tenha talento ou me ache portador de algum, por que se para Camões faltava "saber engenho e arte" como disse o própio, para minha singela imagem falta ainda TUDO, para chegar aos pés desta sublime palavra... Finalizei este curta em outubro de 2010, quiz mostrar um artista, ou poeta, se desgastando no tédio, tentando se expressar de alguma forma. É sobre como é lento e doloroso um processo de criação...Espero que gostem.