Tintas escorrem vívidas na morta natureza.
A arte, mesmo que horrível, ainda é a única beleza.
E se um quadro se formasse da imagem em minha mente
nele haveria os chacais deste mundo devorando o amor entre seus dentes.
o sangue frio e pérfido de cada um dos muitos olhos?
Inquietante e corrosiva questão da mão que pinta a tela:
Haveria ainda um só coração em meio à tantas feras?
Pobre mão cansada, nunca saberá que cores usar
para descrever algo que observa com medo e lástima no olhar.
Nunca saberá dizer em tuas artes
por que vivem malevolentes seres tão covardes,
monstros que caminham sempre sedentos
para retirar do mundo os restos escassos de sentimento!
Pobre mão cansada que vê sua arte perder o brilho
ao pintar o falecimento do amor...
Como Goya, e seu saturno devorando um filho!
Bira L. Silva

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