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"Eu não tinha medo de observar as coisas horríveis, mas ficava apavorado com a idéia de nada ver..." (Poe)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sejamos o mal deste século.

Em meu quarto, sombrio ergástulo...
Permaneço inerte e deitado sobre os excrementos do abandono.
Como um parasita? Como no esgoto os ratos?
Ou apenas como uma fétida porção de carbono?

Talvez a vida esteja em algum lugar lá fora.
Talvez nen sempre tão ébria,
tão lasciva e insurgente seja agora,
como o ácool que em fumaça lívida se evapora...

Mas este ser aqui dentro anseia arruinar a morbidez que o cerca.
Que as paredes do quarto tornen-se as paredes de uma taverna,
que se torne real o desejo de embriaguez que o consume e o feri
_Só por uma noite sombras mortas, sejam para mim Bertram
e Solfieri!

Mas tudo permanece escuro,
morto no interior do quarto, morto no interior do mundo,
e este século XIX somente no devaneio do tédio irá ficar!

Tudo sempre vai estar escuro,
morto no interior do quarto, morto no interior do mundo.
Na cama jáz o poeta fora  de seu tempo que a morte ainda espera.
"A vida é carne ainda em osso
se contorcendo sobre a terra."

Sejamos o mal deste século!


Bira L. Silva 

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The structure of poetry - Um filme de Bira L. Silva

Gosto de me expressar, não que eu tenha talento ou me ache portador de algum, por que se para Camões faltava "saber engenho e arte" como disse o própio, para minha singela imagem falta ainda TUDO, para chegar aos pés desta sublime palavra... Finalizei este curta em outubro de 2010, quiz mostrar um artista, ou poeta, se desgastando no tédio, tentando se expressar de alguma forma. É sobre como é lento e doloroso um processo de criação...Espero que gostem.